
{"id":231533,"date":"2023-11-30T14:31:54","date_gmt":"2023-11-30T17:31:54","guid":{"rendered":"https:\/\/portalbacana.com.br\/index.php\/2023\/11\/30\/amazonia-tem-taxa-de-assassinatos-superior-a-media-nacional\/"},"modified":"2023-11-30T14:31:54","modified_gmt":"2023-11-30T17:31:54","slug":"amazonia-tem-taxa-de-assassinatos-superior-a-media-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalbacana.com.br\/index.php\/2023\/11\/30\/amazonia-tem-taxa-de-assassinatos-superior-a-media-nacional\/","title":{"rendered":"Amaz\u00f4nia tem taxa de assassinatos superior \u00e0 m\u00e9dia nacional"},"content":{"rendered":"\n<p>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/PF<\/p>\n\n\n\n<p>A taxa m\u00e9dia de mortes violentas intencionais na Amaz\u00f4nia foi 45% superior \u00e0 m\u00e9dia nacional&nbsp;em 2022. O Brasil registrou, no ano passado, taxa de viol\u00eancia letal de 23,3 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes. Nas cidades que comp\u00f5em a Amaz\u00f4nia Legal, a taxa chegou a 33,8 por 100 mil.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/portalbacana.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/ebc.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/portalbacana.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/ebc.png\"><\/p>\n\n\n\n<p>Os dados foram compilados pelo relat\u00f3rio&nbsp;<em>Cartografias da Viol\u00eancia na Amaz\u00f4nia<\/em>, do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP) e do Instituto M\u00e3e Crioula, com base em n\u00fameros das secretarias estaduais de Seguran\u00e7a P\u00fablica e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Todos os crimes comparados no levantamento tiveram resultados piores para a regi\u00e3o amaz\u00f4nica: al\u00e9m de&nbsp;homic\u00eddios, feminic\u00eddios, homic\u00eddios contra&nbsp;ind\u00edgenas, estupros e registros de armas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas cidades classificadas como urbanas pelo IBGE, a taxa de mortes violentas intencionais na Amaz\u00f4nia legal &#8211; de 35,1 por 100 mil habitantes &#8211; \u00e9 52% superior \u00e0 m\u00e9dia nacional, que foi de 23,2 por 100 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe o desmatamento desenfreado e a explora\u00e7\u00e3o ilegal de min\u00e9rios s\u00e3o vari\u00e1veis presentes h\u00e1 d\u00e9cadas na regi\u00e3o, que tamb\u00e9m convive diariamente com a viol\u00eancia decorrente dos conflitos fundi\u00e1rios, a dissemina\u00e7\u00e3o de fac\u00e7\u00f5es criminosas que atuam especialmente no narcotr\u00e1fico \u00e9 um fen\u00f4meno que se consolidou h\u00e1 cerca de uma d\u00e9cada, gerando crescimento dos homic\u00eddios e amea\u00e7ando ainda mais o modo de vida dos povos ind\u00edgenas, ribeirinhos e quilombolas\u201d, diz o documento.<\/p>\n\n\n\n<p>A taxa de feminic\u00eddio nos munic\u00edpios amaz\u00f4nicos foi de 1,8 para cada 100 mil mulheres, 30,8% maior do que m\u00e9dia nacional (1,4 por 100 mil). A taxa de mortes violentas intencionais de mulheres &#8211; incluindo feminic\u00eddios, homic\u00eddios dolosos, latroc\u00ednios e les\u00f5es corporais seguidas de morte &#8211; foi de 5,2 por 100mil mulheres, 34% superior \u00e0 m\u00e9dia nacional, de 3,9 por 100 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma das hip\u00f3teses aventadas pela literatura tem rela\u00e7\u00e3o com o processo colonizador muito particular pelo qual passou a regi\u00e3o, majoritariamente masculino, marcado pelo silenciamento e explora\u00e7\u00e3o da mulher e sob perspectiva utilitarista, baseada em um olhar para a Amaz\u00f4nia como espa\u00e7o provedor de mat\u00e9rias primas, sem preocupa\u00e7\u00e3o com o desenvolvimento local\u201d, observou&nbsp;o relat\u00f3rio sobre o maior \u00edndice de assassinatos de mulheres na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o FBSP ressalta que a regi\u00e3o \u00e9 formada por popula\u00e7\u00e3o feminina majoritariamente negra, ind\u00edgena e ribeirinha, &#8220;cujos marcadores sociais se sobrep\u00f5em em camadas de vulnerabilidade e risco&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia sexual tamb\u00e9m apresentou taxas mais altas na regi\u00e3o do que no restante do pa\u00eds. Considerando a soma das ocorr\u00eancias de estupro e estupro de vulner\u00e1vel, a taxa chegou a 49,4 v\u00edtimas para cada 100 mil pessoas em 2022, nas cidades da regi\u00e3o. O n\u00famero \u00e9 33,8% superior \u00e0 m\u00e9dia nacional, que foi de 36,9 por 100 mil no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>A taxa de mortes violentas intencionais de ind\u00edgenas na regi\u00e3o \u00e9 de 13,1 para cada 100&nbsp;mil ind\u00edgenas, segundo dados do Datasus, 11% maior do que a m\u00e9dia brasileira, que \u00e9 de 11,8 por 100 mil ind\u00edgenas. A taxa de mortes entre ind\u00edgenas foi calculada com base nos dados mais recentes, que correspondem a 2021. Nos demais estados brasileiros fora da Amaz\u00f4nia Legal, a taxa \u00e9 de 10,4 v\u00edtimas a cada 100 mil ind\u00edgenas. Ou seja, a taxa de mortes violentas de ind\u00edgenas na Amaz\u00f4nia \u00e9 26% maior do que fora dela.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Crime organizado<\/h2>\n\n\n\n<p>O estudo mapeou a exist\u00eancia de pelo&nbsp;menos 22 fac\u00e7\u00f5es do crime organizado na regi\u00e3o, presentes em todos os estados amaz\u00f4nicos. \u201cA fronteira amaz\u00f4nica possui a maioria dos munic\u00edpios que s\u00e3o objeto de disputa territorial por fac\u00e7\u00f5es, que geralmente se instalam para estabelecer o controle dos fluxos e das rela\u00e7\u00f5es de poder que garantam o escoamento de drogas e outros il\u00edcitos para o territ\u00f3rio nacional\u201d, destacou a entidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Do total de 772 munic\u00edpios da Amaz\u00f4nia Legal, o relat\u00f3rio identificou ao menos 178 que t\u00eam presen\u00e7a de fac\u00e7\u00f5es, o que representa 23% de todos os munic\u00edpios da regi\u00e3o. Os munic\u00edpios em situa\u00e7\u00e3o de disputa territorial entre duas ou mais fac\u00e7\u00f5es s\u00e3o ao menos 80, representando o percentual de 10,4% do total da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO que mais chama aten\u00e7\u00e3o e revela a gravidade do problema \u00e9 que&nbsp;nos 178 munic\u00edpios com a presen\u00e7a de alguma fac\u00e7\u00e3o, vivem aproximadamente 57,9% dos habitantes da regi\u00e3o. Nos 80 munic\u00edpios em disputa por fac\u00e7\u00f5es, a popula\u00e7\u00e3o absoluta \u00e9 de cerca de 8,3 milh\u00f5es de habitantes, algo pr\u00f3ximo de 31,12 % da popula\u00e7\u00e3o total da Amaz\u00f4nia\u201d, segundo o documento.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa, de acordo com o relat\u00f3rio, que cerca de um ter\u00e7o dos moradores da Amaz\u00f4nia Legal est\u00e1 em \u00e1reas conflagradas e em disputa, sujeitos \u00e0s din\u00e2micas de viol\u00eancia extrema e sobreposi\u00e7\u00e3o de ilegalidades e crimes.&nbsp;O estudo reiterou que o processo de expans\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o das fac\u00e7\u00f5es criminosas na regi\u00e3o est\u00e1 diretamente ligado \u00e0s din\u00e2micas de funcionamento do sistema prisional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm dez&nbsp;anos, a taxa de pessoas privadas de liberdade na Amaz\u00f4nia Legal cresceu 67,3%, enquanto a m\u00e9dia nacional foi de 43,3% de aumento. Em 2022, 98.034 pessoas cumpriam pena no sistema penitenci\u00e1rio ou estavam sob cust\u00f3dia das pol\u00edcias nos estados que comp\u00f5em a Amaz\u00f4nia\u201d, diz o documento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Apreens\u00e3o de drogas<\/h2>\n\n\n\n<p>A apreens\u00e3o de coca\u00edna pelas pol\u00edcias estaduais na Amaz\u00f4nia cresceu 194,1%&nbsp;entre 2019 e 2022, totalizando pouco mais de 20 toneladas em 2022. O estado com&nbsp;mais apreens\u00f5es da droga&nbsp;foi Mato Grosso, com 14 toneladas. A Pol\u00edcia Federal apreendeu 32 toneladas de coca\u00edna em 2022 nos estados que comp\u00f5em a Amaz\u00f4nia Legal, crescimento de 184,4% quando comparado ao ano de 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>As apreens\u00f5es realizadas pelo Ex\u00e9rcito tiveram volume significativamente menor em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edcias: a soma de maconha e coca\u00edna apreendidas no \u00faltimo ano totaliza quatro&nbsp;toneladas. \u201cA baixa produtividade das For\u00e7as Armadas surpreende por serem elas as respons\u00e1veis pela seguran\u00e7a das fronteiras, al\u00e9m de possu\u00edrem mais recursos humanos que as pol\u00edcias e disporem de mais equipamentos adequados para atuar nos locais remotos da Amaz\u00f4nia Legal, em compara\u00e7\u00e3o com outras for\u00e7as\u201d, avaliou o relat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Os registros de armas de fogo cresceram mais na regi\u00e3o amaz\u00f4nica do que no restante dos estados. Em 2019, o total de registros ativos no Sistema Nacional de Armas (Sinarm), da PF, nos estados da Amaz\u00f4nia, foi de 115.092 armas, j\u00e1 em 2022 esse n\u00famero passou para 219.802, o que representa crescimento de 91%, enquanto a m\u00e9dia nacional teve aumento de 47,5%. Entre os estados da Amaz\u00f4nia Legal, Mato Grosso concentrou o maior n\u00famero de registros, com 63.337, seguido do Par\u00e1, com mais de 43 mil, em 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 estrutura de seguran\u00e7a, o efetivo de policiais militares tem pouco mais de 60 mil servidores da ativa&nbsp;em toda a \u00e1rea da Amaz\u00f4nia Legal. &#8220;Quando observamos a presen\u00e7a de policiais na extens\u00e3o do&nbsp;territ\u00f3rio fica evidente a car\u00eancia de efetivo na regi\u00e3o: cada policial \u00e9 respons\u00e1vel,&nbsp;em m\u00e9dia, pelo patrulhamento de 83 quil\u00f4metros quadrados (km\u00b2)&nbsp;na Amaz\u00f4nia Legal, enquanto no Brasil&nbsp;esse valor cai para 21 km\u00b2&nbsp; por policial&#8221;, indicam&nbsp;as entidades autoras do relat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Crimes ambientais<\/h2>\n\n\n\n<p>Entre 2018 e 2022, os registros de crimes na Amaz\u00f4nia Legal cresceram: desmatamento&nbsp;aumentou 85,3%, com 619 registros no ano passado; com\u00e9rcio de madeira de lei (Artigo&nbsp;46 da Lei 9.605), 37,6%, passando de 149 para 205; e&nbsp;inc\u00eandios criminosos, com alta de 51,3%, sendo 581 ocorr\u00eancias no \u00faltimo ano.<\/p>\n\n\n\n<p>A grilagem quase triplicou, segundo dados do relat\u00f3rio. Medida pelo crime de invas\u00e3o para ocupa\u00e7\u00e3o de terras&nbsp;da Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios, os registros cresceram 275,7%, com pico em 2022, quando foram registrados 139 boletins de ocorr\u00eancia. Em todo o per\u00edodo, o Maranh\u00e3o, Par\u00e1 e Roraima s\u00e3o os estados que se destacam com&nbsp;o maior n\u00famero de registros.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O est\u00edmulo por parte do governo federal durante a gest\u00e3o de Jair Bolsonaro, somado ao&nbsp;aumento do pre\u00e7o da grama do ouro durante a pandemia de covid- 19 e \u00e0&nbsp;diminui\u00e7\u00e3o&nbsp;das fiscaliza\u00e7\u00f5es ambientais&nbsp;produziu&nbsp;o que poderia ser chamado de &#8216;nova corrida&nbsp;do ouro&#8217; na Amaz\u00f4nia Legal&#8221;, analisou o relat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro dado&nbsp;relevante, que comprova o aumento da explora\u00e7\u00e3o do ouro, de acordo com o estudo, foi o recolhimento do imposto devido no caso da extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios, a Compensa\u00e7\u00e3o Financeira pela Explora\u00e7\u00e3o Mineral (CFEM). Entre 2018 e 2022,&nbsp;o CFEM recolhido para o ouro aumentou 294,7% na Amaz\u00f4nia Legal, enquanto no&nbsp;Brasil o aumento foi de 153,4%.<\/p>\n\n\n\n<p>No Par\u00e1, o CFEM arrecadado em 2021 atingiu seu \u00e1pice, um total de mais de R$ 86 milh\u00f5es, o que representa aumento de 486% ante 2018. &#8220;A explica\u00e7\u00e3o para esse crescimento est\u00e1 n\u00e3o apenas no aumento da\u00a0produ\u00e7\u00e3o de ouro na unidade da Federa\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m no uso das PLGs [permiss\u00e3o de lavra garimpeira]\u00a0 paraenses para esquentar o\u00a0ouro ilegalmente extra\u00eddo em territ\u00f3rios totalmente protegidos, como na Terra Ind\u00edgena\u00a0Yanomami, em Roraima&#8221;, relata o documento.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2023-11\/amazonia-tem-taxa-de-assassinatos-superior-media-nacional\">Por Ag\u00eancia Brasil<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/PF A taxa m\u00e9dia de mortes violentas intencionais na Amaz\u00f4nia foi 45% superior \u00e0 m\u00e9dia nacional&nbsp;em 2022. 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